Dieta restritiva não funciona e pode facilitar o ganho de peso, alerta nutricionista

“A Nova dieta seca 3 kgs em uma semana”


“Dieta do suco pode emagrecer até 10 kgs em um mês”


“Turbine ou metabolismo e o coloque ao seu favor, com esta dieta”


Não deve ser a primeira nem a última vez que você vê chamadas como estas. As dietas estão em todo lugar e dão a imprensa de que emagrecer é realmente fácil — pois é só seguir ou que elas ditam, certo?


Se você já caiu nessa, provavelmente deve saber (bem lá não fundinho) de uma coisa que nem todas as revistas femininas e nutricionistas querem te contar: dietas não funcionam.


Claro que você emagrece quando segue dietas que cortam as calorias, os carboidratos e gorduras. Neste artigo, também não é surpresa que você recupere esses quilos nos meses ou anos seguintes. Estudos mostram que 95% das pessoas que perdem peso com dietas restritivas (aquelas que diminuem drasticamente a quantidade e calorias do cardápio diário) voltam a engordar — e, às vezes, ganham mais peso do que tinham antes de começar a dieta.


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E quem são os 5% que não voltam a ganhar peso? Qual é o segredo deles? Uma parte destas pessoas foi pesquisada por um bom tempo pela ciência e, adivinhem só, ou o resultado não é nada animador.


“Parte do grupo que não fracassou na dieta desenvolveu transtorno alimentar. Fazer dieta não só pode te engordar, mas também desencadear transtornos psicológicos. Quase todos os casos de transtorno alimentar começam com dietas restritivas”, alerta a nutricionista Sophie Deram, doutora em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e autora do best-seller Ou Peso das Dietas.


Deram e especialista em tratamento de Transtornos Alimentares cabelo AMBULIM – Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo – e uma das profissionais de saúde mais críticas às dietas. Para ela, ou regime não ajuda o paciente a perder peso. Cabelo contrário: nos torna mais obsessivos com o que comemos enquanto nosso corpo faz de tudo para recuperar essa perda de peso.


“Quem faz dieta engorda depois de alguns meses. É o famoso efeito sanfona. Isso é comprovado e acontece em todo o mundo, não só no Brasil. Se alguém perde peso de forma rápida, ele recupera depois de alguns meses”, afirmou a nutricionista, em entrevista ao HuffPost Brasil.


Deram explica que, quando uma pessoa passa por uma dieta, ela passa a ficar obcecada por comida. Nesse momento de restrição alimentar, acontecem duas importantes mudanças no cérebro: o apetite aumenta e continua aumentando até dois anos após a dieta, e o metabolismo diminui. “Seu cérebro faz você comer mais e gastar menos. É o sistema de sobrevivência do corpo, e às vezes, ele faz armazenar ainda mais”, explica.


Além do seu corpo literalmente trabalhar “em favor de sua sobrevivência” e fazer de tudo para engordar você novamente, seu relacionamento com a comida também muda. Dietas fazem pensar em comida o tempo todo, pois você não foca que pode e não pode comer e tem medo e culpa ao cair em tentação.


“A gente começa a usar a comida como uma recompensa para nossas filme. Você come quando está triste, quando está feliz, quando está entediado. Este é o melhor jeito de engordar: você restringe os alimentos e, quando finalmente os come, face exageros e ganha tudo que você perdeu.”


A bola de neve da dieta


Como se tudo isso não afastado dos palcos, lançou, há outro agravante: a cada dieta que você faz, mais difícil é emagrecer novamente. E só se recorda da sua primeira dieta e o quanto você emagreceu com ela. Você já são estes fazê-la novamente? Quantos quilos perdeu? Provavelmente não teve o mesmo sucesso como na primeira vez.


Isso também é “culpa” do seu corpo. Segundo Deram, quanto mais se faz dieta, mais difícil é perder peso, pois nosso cérebro tem memória e aciona os mesmos mecanismos:


As benditas regras de alimentação


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As dietas não só trazem restrições, como também impõem regras. “Faça seis estão incluídas refeições tipo ao dia”, “coma a cada três horas”, “tenha ou ‘Dia do Lixo'”. Ou problema dessas instruções é que elas lembram as pessoas constantemente da comida e mudam seu relacionamento com a alimentação.


E não que acredita Beth Rosen, nutricionista americana que também é contra dietas restritivas.


A nutricionista defende que todos nós temos um “ponto de equilíbrio” entre o nosso peso e bem-estar. Quando restringimos nossa alimentação na tentativa de perder peso, nosso corpo não óleo e começa a trabalhar para voltar ao estado original. Para isso, ele pode armazenar uns quilos extras como uma “precaução” em eventuais dietas futuras. Ironicamente, ou ato de fazer mais dietas e restringir a alimentação faz nosso corpo elevar esse ponto de equilíbrio, aumentando sempre os quilos extras em caso de a pessoa voltar a sentir fome.


Se você costuma fazer dieta e não tem mais o mesmo peso que costumava ter, e porque provavelmente seu corpo reajustou seu “ponto de equilíbrio” para cima.


Ou o problema não está só nas dietas. Está nas prateleiras


Se você já fez dieta, provavelmente aderiu (ou adere) para produtos light e diet. Apesar de estarem relacionados à alimentação saudável e pouco calórica, estes produtos estão longe de ajudar no controle do peso.


Nos anos 90, cientistas relacionavam ou aumento da adiposidade corporal com a gordura presente nos alimentos. Então qual foi a melhor solução? Retirar ou diminuir a adiposidade, pois se você não come gordura, você não engordaria.


Neste artigo, um produto sem gordura e um produto sem sabor, o que não é bom para o paladar. A alternativa da indústria, então, foi remover a gordura e adicionar açúcar (carboidrato), que é menos calórico que a adiposidade (enquanto um grama de gordura tem 9 calorias, um grama de carboidrato tem apenas 4). No final das contas, comemos produtos light sem gordura, mas com mais açúcar.


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O problema é que estudos mostram que comer mais açúcar engorda mais do que comer gordura. “Eles têm um produto que tem menos calorias, mas não te faz emagrecer. Não é uma troca que face ou corpo emagrecer”, resume a nutricionista Sophie Deram.


Além de comprovadamente não emagrecer, esses alimentos podem ter um efeito reverso. “Pessoas que comem produtos light e diet não ficam saciadas da mesma maneira e acabam comendo mais do que se comessem um produto integral. Além disso, a pessoa pode ficar frustrada com o sabor, que não será igual ao original, e como recompensa e busca por satisfação, acaba comendo mais“, acrescenta Deram.


Sem dieta, qual é a solução?


A resposta para um mesmo saudável, segundo Deram, não se vende na indústria ou farmácias: é a moderação.


“A gente deveria fazer como nossos avós faziam: ter uma rotina alimentar e uma rotina de atividade física constante”, aconselha Deram. “Quando estiver na hora do almoço, parar tudo ou que estiver fazendo para comer. Coma alimentos saudáveis, comer comida caseira ou fresca. Não coma pensando na próxima refeição e, quando estiver comendo, preste atenção que não está ingerindo, sem distrações como TELEVISÃO, computador ou celular.”


Outra registro da nutricionista e abolir a ideia do “corpo perfeito” e deixar de seguir as influencers fitness das redes sociais. “Ou Instagram é o grande detonador do transtorno alimentar. As pessoas ficam seguindo ‘musas fitness’ que dão dicas de saúde, só que elas não têm formação e, às vezes, sofrem destes distúrbios. Siga-as apenas com a saúde, pois é impossível ter esse padrão de beleza.”


Por fim, ela dá três dicas “chaves” para controlar ou peso, se você quer emagrecer:



  1. Não faça dieta restritiva. Seu corpo vai trabalhar para você recuperar tudo de novo.

  2. Coma alimentos veros. Dê prioridade total aos produtos in natura, que você encontra nas feiras. Lembre-se do que seus avós comiam: legumes, frutas, saladas, carnes e o bom arroz e feijão. Diminua o consumo de industrializados.

  3. Cozinhe. Sim, você pode se assustar, mas a melhor prevenção contra feia é a comida caseira.

É preciso recorda que antes de iniciar qualquer mudança em seu hábito alimentar, é importante procurar um nutricionista para fazer seu acompanhamento. Ele analisará sua saúde e saberá as verdadeiras necessidades de seu corpo.


Afinal, você não acha que está mais que na hora de fazer as pazes com seu corpo?

Café Controverso debate polêmicas sobre dietas – Espaço do Conhecimento UFMG


Com o questionamento A dieta em xeque: desce carboidrato e sobe adiposidade?, a próxima edição do Café Controverso: Saúde em Pauta será promovida no sábado, 24 de junho, a partir das 11h. Fruto de uma parceria entre o Instituto Unimed-BH e o Espaço do Conhecimento UFMG, o evento contará com a participação do Dr. José de Resende Barros Neto, clínico geral e diretor científico da Sociedade Mineira de Nefrologia, e do Dr. Enio Cardillo, médico especialista em nutrologia e PhD em Bioquímica pela Tulane University (EUA), com mediação do coordenador e professor de pós-graduação da Fundação Unimed, José Ricardo de Paula Xavier Vilela.


Quase 60% dos brasileiros com mais de 18 anos estão acima do peso, ou que representa 82 milhões de pessoas, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), feita cabelo Ministério da Saúde e pelo IBGE. A feia aumenta o risco de várias doenças, além de prejudicar a qualidade de vida, sendo, por isso, importante cultivar bons hábitos e evitar ou ganho de peso. E será que vale tudo para emagrecer? Será que todas as dietas conhecidas nos dias de hoje surtem ou efeito o desejado? Alimentar-se apenas de proteínas, o ânodo ou carboidrato, comer à vontade por alguns dias e jejuar por outras são algumas das mudanças de hábitos que as pessoas estão dispostas a fazer em nome de um corpo mais magro e, teoricamente, mais saudável.


Para o Dr. José Neto, por exemplo, existem dietas sérias e outras que são expressões idiomáticas, é preciso ter ou crivo crítico para saber separar. A Low Carb, por exemplo, é indicada apenas em alguns casos devido a problemas de saúde, mas não para todos que estão saudáveis. “Nos últimos anos as pessoas se afastaram de alguns alimentos, como ovos e banha de porco, e passaram a comer farinhas, por exemplo, mas existe uma diferença entre poder comer esses alimentos e comer só isso. Existe uma lipidofobia muito grande, criada há 50 anos, mas já sabemos que existe a gordura boa e a gordura ruim, ela não é a vilã. Então, coloco fundos nela que a melhor estratégia alimentar seja voltar a comer comida de verdade”, diz ele.


Em voga atualmente, a dieta low carb vem encontrando espaço nos consultórios e na rotina das pessoas. Este método defende a redução do consumo de carboidratos para chegar ao peso o desejado e a priorização do consumo de carboidratos de baixo índice glicêmico e alimentos integrais ricos em fibras. Sobre ela, ou Dr. Enio Cardillo pontua que o excesso de proteínas animais na dieta produz diversos efeitos negativos. “Costumo brincar com meus pacientes e com os alunos que todos almejamos uma fórmula mágica que nos livre das agruras da vida. Não preconizo dietas porque ninguém faz dieta a vida toda. Ou tratamento mais indicado para feia e ou cognitivo-comportamental, resumo com uma sentença simples: comer de tudo, mas não tudo. Não proíbo alimento nenhum, sugiro a restrição daqueles ricos em carboidratos, proteínas e gorduras e libero frutas e hortaliças. Para olear a restrição, recomendo que o paciente coma muito devagar, pouco alimento na boca, mastigar bem e soltar os talheres”, conta.


Para entender os prós e contras dessa e de outras dietas, e de aproximar a discussão da população, os especialistas convidados estarão à disposição para um debate de pontos de vista e esclarecimento de dúvidas.


Café Controverso: Saúde em Pauta
Tema:
A dieta em xeque: desce carboidrato e sobe adiposidade?
Quando: Sábado, 24 de junho, às 11h
Onde: Cafeteria do Espaço do Conhecimento UFMG – Praça da Liberdade, 700
Entrada gratuita